"O sonho de ser princesa, recorrente entre as meninas, era a realidade de
Alexandrina Vitória Regina.
Mas a vida da moça, última de sua linhagem real, não era exatamente
um conto de fadas, já que ela cresceu sob as duras "Regras
Kensington", que visavam sua proteção a todo instante, cuidando da
sucessão do trono. Esses normas rígidas impediam que ela dormisse
sozinha, descesse escadas desacompanhada ou mesmo deixasse seu
palácio com frequência.
Com a morte prematura de seu tio, Guilherme IV, Vitória assumiu o
trono da Inglaterra aos 18 anos. Tornada rainha, a garota viu-se no
centro de conspirações e jogos de poder - e também alvo de
pretendentes à sua mão.
A Jovem Rainha Vitória (
Young Victoria, 2009) trata justamente desse período de transição, em que os olhares da regente, aqui vivida por
Emily Blunt, ficaram divididos entre seu primo,
Albert de Saxe-Coburg (Rupert Friend), e o político
Lorde Melbourne
(Paul Bettany). A trama mostra os erros e acertos de Vitória em seus
primeiros meses no cargo, incluindo uma bizarra crise constitucional
gerada pela escolha de camareiras, mas o faz como escancarada
desculpa para o real interesse da produção, o romance.
O filme de
Jean-Marc Vallée (
C.R.A.Z.Y.), com roteiro de
Julian Fellowes (
Feira das Vaidades),
flerta com ideias que parecem arrojadas, como a de um amor
igualitário (Vitória já era rainha e poderosa o suficiente, mas viu
na troca de ideias com Albert o futuro de seu reinado). Mas é nos
ideais do amor romântico que ele efetivamente se encontra. A imagem
das escrivaninhas frente a frente, como duas metades de um todo, não
deixa dúvida disso.
Dá pra entender o fato do filme ignorar temas importantes do reinado
de Vitória, como a política expansionista britânica e a Revolução
Industrial, afinal, optou-se por um romance típico - e nos registros
históricos existiram poucos como o da rainha e seu príncipe consorte.
Como ela o escolheu para marido, considera-se que o casamento tenha
sido o primeiro por amor já realizado na realeza.
Junte a isso os belos jardins palacianos, um "quem-é-quem" do cinema inglês, os figurinos que renderam mais um Oscar a
Sandy Powell
e a direção de arte e maquiagem (indicadas ao mesmo prêmio) e você
tem um romance que preenche todos os melhores requisitos do gênero.
Pra quê preocupar-se com expansões e revoluções quando você tem um
amor ideal à sua disposição?"
Fonte: Omelete